Sedentario

A palavra sedentário está presente na maioria dos estudos epidemiológicos que avaliam os riscos para incidência de doenças crônico-degenerativas, os chamados agravos não transmissíveis. Estão na lista cardiopatias, diabetes, hipertensão, obesidade e outras tantas mazelas que têm engordado as estatísticas de mortalidade em todo o mundo. O termo sedentário, outrora utilizado para descrever populações com hábitos de vida contrários aos nômades, é hoje sinônimo de inativo, ou seja, descreve pessoas com baixos níveis de atividade física e risco elevado para os agravos citados.

Nahas (2006) considera sedentário o indivíduo cujo gasto energético, considerando a soma do trabalho, lazer, atividades domésticas e locomoção, é inferior a 500 calorias por semana. Como comparação, a mesma fonte coloca em 1000 calorias por semana o gasto energético de uma pessoa moderadamente ativa (equivalente a uma caminhada a passos rápidos durante 30 minutos, cinco vezes por semana), ou seja, algo que pode ser atingido com uma simples mudança de hábito, a ida ao trabalho caminhando.

Embora existam recomendações importantes por instituições credenciadas, que se baseiam em critérios científicos, prescrever exercício é uma ação complexa. Qualquer estímulo depende de avaliação física, por vezes clínica, e exige atenção ao nível de aptidão física de cada um. As recomendações citadas em documentos de instituições da área de saúde estabelecem níveis de exercício amplos, que vão de um mínimo pouco estimulante a indivíduos treinados a um máximo que poucos conseguirão sustentar. Talvez por isso não consigam atender ao objetivo de estimular a prática de atividade física pela população.

No Brasil foi publicado recentemente (2015) o Diagnóstico Nacional do Esporte. Além de trazer o perfil da prática esportiva o estudo levantou dados de sedentarismo. Foram considerados sedentários aqueles que declararam não ter praticado esporte ou atividade física em 2013 no seu tempo livre, um total de 67 milhões de pessoas (45,9% da população, 50,4% e 41,2% homens). 69,8% deles alegaram que o principal motivo para o estilo de vida sedentário é a falta de tempo, trabalho e família atrapalham.

E que motivos teríamos para deixar o sedentarismo? Ser ativo diminui o risco de desenvolver infarto, diabetes do tipo II, algumas formas de câncer, causa decréscimo na pressão arterial, melhora o perfil lipoprotéico, aumenta a sensibilidade à insulina e controla o peso corporal. Em idosos a vida ativa está associada à preservação da densidade mineral óssea e redução do risco de quedas, com aumentos da sensação de bem estar. Além disso, estudos recentes afirmam que a atividade física aeróbia resulta em neurogênese, com incremento no número de células cerebrais, o que melhora o aprendizado e reforça a memória a curto prazo.

Que coisa fantástica é ser ativo, não é? Comece a pensar sobre o assunto. Escolhendo atividades estimulantes e prazerosas mas, principalmente, tenha o cuidado de começar sempre devagar, com pequenos volumes e intensidades. Se resolver ser mais frequente, procure orientação com um profissional de Educação física.

 

 

 

BRASIL, Ministério do Esporte. Diagnóstico Nacional do Esporte, 2015.

Fonte: NAHAS, Markus Vinicius; Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo; Londrina: Midiograf, 2006.

NOKIA et al. Physical exercise increases adult hippocampal neurogenesis in male rats provided it is aerobic and sustained. The Journal of Physiology, 2016.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *